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Vale da Ribeira do Mogo

Extenso vale em canhão que entalha a Plataforma Litoral, onde se conhece um grande conjunto de grutas arqueológicas e várias nascentes cársicas, o Vale da Ribeira do Mogo situa-se paralelamente à Serra dos Candeeiros, sensivelmente entre as povoações de Chiqueda e Ataíja.

Constituído por uma morfologia tipicamente cársica, a rocha predominante é o calcário (Jurássico Superior) e o relevo é produto dos cursos de água de origem superficial (das chuvas) que vão provocando a erosão da pedra, aumentando o vale, tornando-o cada vez mais fundo e ondulado, num processo muito lento que decorre ao longo do tempo.

A Ribeira do Mogo é um afluente do Rio Alcoa, isto é, vai desaguar neste rio, mais precisamente junto ao Poço Suão, a primeira nascente ativa das três principais nascentes do Rio Alcoa.

O rico ecossistema desta zona, ainda relativamente bem preservado, apresenta uma flora diversificada própria do carvalhal da Estremadura. Carvalho-cerquinho, Medronheiro, Pilriteiro, Urze-branca, Gilbardeira, Tomilho, Murta, Madressilva, Roselha e o Tojo são algumas das muitas espécies.

A fauna aí existente também é rica e diversificada, embora não muito visível. Mamíferos: lontra, gineta, sacarrabos, texugo, raposa, toirão, doninha, morcegos e coelhos. Aves: bufo-real, búteo, peneireiro, falcão-peregrino, melro-azul, entre muitas outras espécies.

Foi este ecossistema que permitiu ao ser humano encontrar condições para habitar no Vale desde a Pré-História, aproveitando ainda as diversas grutas aí existentes, que lhe serviam de abrigo.

A riqueza do ecossistema, ainda relativamente preservado, em torno da Ribeira do Mogo, numa extensão de cerca de 6 km, é uma das principais razões para agendares uma visita.

Os achados arqueológicos, feitos no vale por Manuel Vieira Natividade, nos finais do séc. XIX numa dezena de grutas, são mais um reflexo da riqueza patrimonial deste magnífico espaço.


Coordenadas geográficas: 39.5350000,-8.9386111